sexta-feira, 17 de abril de 2026

230 dias

 

Foram 230 dias.
E ainda conto cada um no escuro.
Diga que não passa de mentira
quando dizem que o amor morreu.

Diga que o tempo fecha todas as feridas e que pra nós existe uma saída. 
Que, nem por um segundo, me esqueceu.

Você disse que em algum momento eu iria começar a te odiar.
Pode me dizer quando será?
Porque acho que prefiro ter ódio
do que esse amor doído que não vai.

Diga que não volta mais pra minha vida e que a nossa estrada é bipartida. 
Esqueça o dia em que me conheceu.

Estrada do inferno,
farol da solidão.
Dentro de um caderno,
um baque de redenção.

Intrigas, mentiras 
e noites mal dormidas.
Lições mal aprendidas.
Azar de quem fica, 
maldito quem vai.
Eu não sei nem o cheiro 
de abraço de pai.

A vida é um sopro,
é a boca da morte.
Me cuspiram pra fora
num golpe de sorte.

Se a gente não morre,
não cura dos cortes.
Mas vivendo piora…
Eu nunca fui embora. 

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