Ser uma pessoa insegura dói de um jeito que não aparece. Não é um grito, não é um drama visível. É um peso silencioso que acompanha todos os dias, quase como uma sombra que nunca se afasta completamente. O que mais machuca é a dualidade. Existe uma parte minha que é lúcida, racional, que analisa fatos, lembra de provas, de gestos concretos, de palavras ditas, de histórias vividas. Essa parte sabe quando algo é real, quando o amor existe, quando o medo não tem fundamento. Ela tenta me proteger com lógica.
Mas existe outra parte, mais barulhenta, mais insistente, que me sabota. Ela cria cenários que nunca aconteceram, alimenta paranoias, distorce silêncios, transforma pequenas ausências em rejeição, e dúvidas em certezas dolorosas. Essa parte não quer provas, ela quer controle. E quando não encontra, inventa ameaças.
Viver assim é cansativo. É acordar bem e, em questão de minutos, ser puxado para dentro de pensamentos que pesam toneladas. É lutar contra algo invisível quase todos os dias. É se sentir forte em um momento e frágil no seguinte, sem entender exatamente onde foi que tudo virou. O mais desesperador é procurar respostas. Eu já busquei sinais divinos, explicações espirituais, mensagens escondidas no acaso. Já tentei remédios, terapia, meditação, oração. Já sentei em silêncio pedindo paz, já chorei pedindo clareza. E, mesmo assim, tem dias em que nada parece aliviar. Nada parece calar essa voz que insiste em dizer que algo está errado, mesmo quando tudo está aparentemente bem.
E então vem a pergunta que dói mais do que todas: onde é que eu estou errando? Talvez o erro esteja em achar que existe um botão de desligar. Talvez esteja em acreditar que insegurança se vence com força, fé ou disciplina. Talvez eu esteja errando ao me cobrar tanto por ainda sentir, por ainda cair, por ainda duvidar. Porque a verdade é que insegurança não é falta de amor, de fé ou de esforço. Muitas vezes, é excesso de memória. É história acumulada no corpo. É medo aprendido, não escolhido. É uma mente tentando proteger um coração que já doeu demais.
Eu ainda não tenho a resposta final. Mas sigo tentando existir apesar do peso. E, talvez, no momento poder falar sobre isso já é reconfortante e aliviador.
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